Carreira
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O serviço público não é para todos.

Quem nunca pensou em fazer concurso público que atire a primeira pedra.

A questão é que muita gente busca a estabilidade oferecida pelo serviço público, além de salários atrativos, ainda mais no início da vida laboral, porém, como ex-servidora pública vejo alguns pontos negativos nessa carreira.

O “concurseiro” passa muitas horas estudando, focado no objetivo maior: se sobressair diante de toda aquela concorrência e obter a classificação dentro das vagas, de modo a ser nomeado e começar a tão sonhada carreira pública. O que acontece é que a carreira do servidor não é bem um mar de rosas como pintam alguns cursinhos, depende muito do que de fato tu almejas para tua vida profissional.

Sim, é ótimo ter segurança, e claro, um bom salário que pague todas as tuas contas e ainda sobre para fazeres aqueles gastinhos supérfluos que tanto dão prazer. Mas, chega um momento em que tu começas a te questionar se a vida profissional é só isso: trabalhar visando apenas o salário, as férias, a licença prêmio e a aposentadoria. Ou então, ir fazendo outros concursos para ganhar mais e ficar esperando a nomeação.

O que acho que falta, e muito, no setor público é reconhecimento, plano de carreira (muitos municípios não possuem), capacidade de evolução profissional, motivação da equipe, capacitação dos profissionais, redução dos cargos em comissão, ou então cargos em comissão com pessoas com formação e capacidade para assumi-los e não como cabides de emprego, melhores condições de estrutura (pelo menos que não falte papel higiênico), entre outros pequenos grandes problemas.

Para mim, não existe motivação no serviço público. Tudo bem que não atuei diretamente na minha área de formação, até porque quando entrei nem tinha começado a faculdade ainda, mas pude ver a situação de todos os níveis, desde o fundamental até o superior. E os problemas são os mesmos. Os profissionais vão estagnando, colocam seus planos e sonhos na gaveta e vão levando dia a dia, batendo cartão esperando o início do mês seguinte. Sei que essa pode ser a realidade de alguns empregados de empresa privada também, mas acho que no serviço público a coisa é mais corriqueira.

Tu passas meses, até anos, estudando para ter a tão sonhada estabilidade, e quando consegue, nem sempre é como tu imaginaste. Às vezes é, depende dos teus objetivos como profissional, das tuas ambições. Algumas pessoas adoram ser servidoras, não imaginam a vida fora do serviço público, fazem um terrorismo sobre o “mundo da iniciativa privada”, dizem que largar o serviço público é loucura nessa crise em que vivemos. Loucura na verdade é fazer a mesma coisa todos os dias e esperar resultados diferentes, loucura é se acomodar.

Não tenho a intenção de prestar concurso novamente, meus objetivos estão agora voltados para a construção de uma carreira na iniciativa privada. A inteligência do ser humano reside em viver diferentes experiências e perceber a qual delas se adaptam melhor os seus objetivos, o que o faz se sentir motivado, qual o seu propósito profissional.

Para mim o serviço público foi uma escola, me proporcionou aprendizados em diversas áreas e se demonstrou um ótimo início de carreira. Quando percebi que não havia mais possibilidade de crescimento lá dentro, e que já havia aprendido tudo que poderia naquela função, decidi que era hora de alçar novos voos, buscar outras oportunidades. Já estava formada e iniciando um MBA, mas a vontade de prestar concurso para minha área foi embora, a concurseira que existia em mim se aposentou.

Não me encontrei no serviço público, mas quem sabe ele não é para você? Cada um tem um caminho a trilhar, uma missão a cumprir, diferentes metas, objetivos e planos de vida. E não existe certo ou errado nesse caso, cada um sabe de si. A vida é feita de escolhas não é mesmo? Se achar que escolheu errado, ou se quiser mudar de escolha no percurso da vida, é só mudar. A vida também é feita de recomeços. Nunca é tarde demais para se reinventar, recomeçar, traçar novos planos e seguir.

As pessoas tem medo de mudanças, mas o que me dá medo mesmo é a estagnação, o tédio, o viver esperando a aposentadoria.

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