Arquivologia
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Por que os arquivos não são tão populares quanto às bibliotecas e os museus?

Certamente você já visitou uma biblioteca ou museu na sua vida, mas já visitou um arquivo? Não?! É visível que os arquivos não são lá tão populares quanto às bibliotecas e museus, mas por quê? Vem conferir!

 

Começo esse artigo com uma simples indagação: você já visitou algum arquivo na sua vida? A menos que você seja uma exceção a grande maioria, a resposta será não. É sabido que os maiores frequentadores de arquivos atualmente são pesquisadores ou historiadores em busca de respostas e fundamentações.

A maioria das pessoas não faz nem ideia de que exista um arquivo público onde se possa consultar, por exemplo, documentos de nossos antepassados, recriar nossa árvore genealógica e buscar nossas origens.

Até mesmo no âmbito escolar e acadêmico (a menos que você seja um estudante de história, ou de alguma ciência da informação) dificilmente você terá a oportunidade de visitar um lugar como esse.

Minha proposta aqui não é desmerecer as bibliotecas e os museus, eu não faria uma coisa dessas, também adoro essas visitas culturais. Porém, gostaria de explorar o motivo pelo qual o arquivo acaba no esquecimento, no desconhecimento do povo.

Arquivos, bibliotecas e museus podem ser descritos como lugares do conhecimento, lugares dos saberes. Lugares de pesquisa e contemplação.

No ponto de vista de contemplação, os museus provavelmente ganham no número de visitantes mensais. Porém, existem muitas bibliotecas (a exemplo no Brasil temos a Fundação Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro) que são tão turísticas quanto os museus propriamente. Entretanto, as bibliotecas são as queridinhas no quesito estudo, tendo em vista que é o primeiro lugar em que pensamos em ir quando precisamos de silêncio, quando queremos estudar, pesquisar, ou mesmo só para ler um romance ou revista. Quem nunca perdeu a noção do tempo dentro de um livro?!

Algumas bibliotecas permitem a realização de cadastros de usuário podendo estes levar os livros para casa, sendo esse o caso geralmente das bibliotecas públicas municipais. As bibliotecas das faculdades também fornecem esse serviço, porém somente para estudantes regularmente matriculados. Uma coisa que acho uma tristeza é a exclusão de ex-alunos nesse sistema das faculdades, pois, uma vez que você se forma não pode mais levar os livros pra casa (tá eu sei que os livros precisam estar ali para os atuais estudantes poderem retirar para seus trabalhos acadêmicos, mas eu fico triste igualmente).

Há ainda um serviço de digitalização, sim, você pode encontrar livros disponibilizados online. Eu ainda não tenho um kindle (não deixa de ser um projeto adquirir), mas leio no notebook mesmo. Na época do pré-vestibular consegui títulos como “Lucíola” e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” online, hoje em dia tem muito material de qualidade disponível a preços acessíveis e até gratuitamente.

E os arquivos? Ok, os arquivos podem não ser tão “glamorosos” assim (o APERS aqui em Porto Alegre em minha opinião de arquivista é divino), mas também são locais de silêncio, apropriadíssimos para quem quer estudar e pesquisar.

As pessoas além de muitas vezes não saberem da existência dos arquivos, não sabem muito sobre sua utilidade para a sociedade, e as ações de difusão podem contribuir para explicar a importância dos arquivos.  Os arquivos (num contexto de utilidade pública) servem para armazenar a memória/história de um povo, suas origens, raízes e trajetórias. No caso dos arquivos públicos, podemos encontrar documentos que remontam o passado de uma cidade, de um estado e do país (Arquivo Nacional). No contexto privado temos nossos próprios arquivos e memórias dentro de nossa casa, e as empresas possuem também seus arquivos contendo projetos, documentos administrativos, funcionais, etc. Portanto, os arquivos se mostram como importantes fontes de pesquisa para a reconstrução da história. Comprovam acontecimentos e contam histórias.

A imagem publicada acima, por exemplo, é uma certidão do registro de imóveis de Soledade, que casualmente tive a sorte de visualizar em uma de minhas aulas práticas no arquivo histórico do RS. A certidão me chamou a atenção porque trata de um Sr. Vitorio Marchese, tirei a foto para mostrar para meu namorado que tem esse sobrenome, e descobrimos que trata-se do tio da minha sogra. Interessante não?!

Você sabia que os arquivos também disponibilizam documentos online para consulta? No site do Arquivo Público de São Paulo podemos baixar jornais e periódicos antigos, do tempo dos nossos avôs e bisavôs. É muito interessante, vale a pena conferir no site do APESP.

O que se faz necessário no caso dos arquivos é a difusão, é comunicar que existe ali um produto a se oferecer. Tornar o arquivo conhecido no mercado não é tarefa fácil, pois como já fora mencionado, muitos nem sabem de sua existência, todavia acredito que investir nesse tipo de ações traz maior enriquecimento cultural para a sociedade.

Atrevo-me a dizer que o que o arquivo precisa é um bom marketing, propaganda, para difundir suas funções e seus produtos atraindo mais visitantes, e trazendo desse modo inclusive mais retorno financeiro, pois alguns serviços são cobrados no intuito de manter a estrutura e os funcionários, e claro, o próprio reinvestimento em propaganda e ações para trazer visitantes.

A intenção é trazer visibilidade para esse tipo de instituição. É tão incomum encontrarmos ações voltadas para trazer visitantes aos arquivos, e, infelizmente, quando os arquivos possuem ações, ainda assim, parece haver um problema na divulgação pelo fato de poucas pessoas terem conhecimento dessa existência.

Acho válida toda iniciativa que incentive a cultura, seja nos arquivos, bibliotecas ou museus. Com certeza visitar essas instituições durante o período escolar contribui para a formação do indivíduo de modo positivo, possibilitando o contato com esses espaços e evidenciando seus serviços e utilidade para a sociedade.

Então, espero que sua curiosidade te leve ao arquivo mais próximo. Não vai se arrepender!

Referências

SANTOS, Vanderlei Batista dos. Una propuesta de marketing para un archivo institucional. Alexandría : Revista de Ciencias de la Información, 2007.

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