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Você sabe o que é Educação Patrimonial?

Sempre me interessei por temas ligados a Patrimônio Cultural e Histórico e Educação Patrimonial, mas o que de fato é a Educação Patrimonial? Esse artigo aborda a definição da Educação Patrimonial e seu tratamento na atualidade no contexto escolar e familiar.

Sempre me interessei por temas ligados ao Patrimônio Cultural e Histórico. Gosto de saber mais sobre a história por trás dos monumentos, dos artefatos, dos documentos, qualquer informação que me faça sentir mais conectada com o passado, que faça com que eu entenda o que aconteceu ou o que aquilo significa, o que representa para o local de origem.

Sou do tipo que aprecia uma bela exposição, nem sempre consigo captar o que o autor está tentando passar, mas ainda assim, me encanta admirar a arte.

Então hoje decidi falar sobre um tema que pra mim é um prazer, o tema que explorei em meu tcc, a Educação Patrimonial. Mas para isso, vamos primeiro dar uma olhada no significado da palavra “patrimônio”.

O termo “patrimônio” deriva da palavra de origem latina, pater, que significa pai. Portanto, está relacionado originalmente à herança paterna, aos bens materiais transmitidos de pai para filho. (MACHADO, 2004).

Com isso, percebe-se que o patrimônio cultural vive em constante evolução, pois se trata de um legado deixado de pai para filho, passando de geração a geração. Vivemos o presente construindo aos poucos o futuro, porém, não deixamos de estar construindo um passado também, uma história para as futuras gerações.

Aposto que tu já ouviste aquela história do tempo da tua avó contando como ela vivia, como era a cidade no tempo em que ela era jovem, quais eram os costumes e essas coisas. Isso é patrimônio, os costumes também podem ser considerados patrimônio, e isso é parte da história da sua família. Aquela foto da juventude da sua mãe é patrimônio.

Temos mania de pensar que patrimônio diz respeito apenas aos bens materiais, porém não se trata apenas disso, o termo está ligado a algo muito maior e significativo, é história.

Definimos o que é patrimônio e agora quero falar sobre Educação Patrimonial, que consiste em repassar para a sociedade a necessidade do zelo pelo patrimônio, o estímulo pela preservação, é fazer nascer o sentimento de que aquilo também é pra ti, que tu deves cuidar como se teu fosse, porque é.

Na definição da brilhante Maria Beatriz Pinheiro Machado:

A Educação Patrimonial consiste na implementação de ações educativas de investigação, apropriação e valorização do patrimônio cultural. (…). Caracteriza-se por ser um processo de trabalho educativo que tem como ponto de partida e central o Patrimônio Cultural com todas as suas manifestações. (MACHADO, 2004).

O que despertou minha curiosidade por esse tema foi justamente a forma como ele é tratado no contexto escolar, lá no ensino fundamental e médio pelas escolas.

Muita gente já fez o famoso passeio ao Museu da sua cidade, porém, tem escolas que nem isso proporciona para os alunos, e esse contato desde o início é muito importante. O interessante seria fomentar essa noção de patrimônio desde o ensino fundamental, porém mantendo ações para que ela seja lembrada constantemente. Vemos tantos atos de vandalismo contra o patrimônio público e cultural, e isso é muito triste. Realmente penso que essa situação pode ser tratada através de iniciativas de conscientização das próprias escolas desde cedo, e claro, dos pais também.

O que parece faltar é essa apropriação cultural do próprio individuo, é o ver-se como parte da sociedade e da história, mesmo que tu não estivesses lá quando aconteceu, falta patriotismo, falta orgulho das próprias origens e claro, falta respeito e educação.

Mas então, como a escola pode tratar a Educação Patrimonial? Que tipo de atividades podem ser realizadas com os alunos com o fim de estabelecer essa conscientização de pertencimento e apropriação cultural?

A verdade é que existem diversas maneiras de se trabalhar com Educação Patrimonial em sala de aula, e isso abrangendo todas as disciplinas. Engana-se quem pensou que o professor de história seria o único responsável por realizar tais atividades. É possível realizar projetos interdisciplinares para a construção de um memorial onde será contada a história do estabelecimento escolar; propor oficinas com objetos e documentos pessoais de cada aluno, dando ênfase no patrimônio pessoal e individual do educando; Investigar, em forma de pesquisa, os monumentos da cidade, a praça, a pracinha do bairro, dando ênfase ao patrimônio coletivo, na memória coletiva; também pode ser realizadas exposições de objetos pessoais, trabalhos escolares, fotos antigas, brinquedos, enfim, uma área do conhecimento pode auxiliar a outra na elaboração dos projetos. Também podem ser realizadas visitas às instituições de memória, como museus, arquivos e bibliotecas, com o intuito de ampliação dos saberes, promovendo a difusão cultural nessas instituições.

É importante não esquecermos que o Brasil é uma nação pluricultural, pela diversidade de etnias. Nossa cultura está sempre se renovando, se reinventando, possibilitando assim, que a construção de nossa identidade seja dinâmica, hibrida não entendida com algo fixo e imutável.

Interessante destacar o fato de que a Educação Patrimonial não precisa ser tratada apenas em visitas a museus. Sim, museu é um local fantástico, e parece que essa noção de arte nos faz pensar imediatamente em um museu, porém, vale muito a pena fazer um passeio no arquivo, e na biblioteca também. Sim, existem iniciativas dos arquivos visando a difusão cultural e promoção do arquivo como um local amigo da escola, um ambiente de aprendizado.

O Arquivo Público do Rio Grande do Sul (APERS) realiza oficinas com escolas, porém, o triste é que muitas escolas nem mesmo tem conhecimento dessa iniciativa. Sabemos que infelizmente o ensino público está com muitas deficiências, entretanto, algumas escolas privadas também não abordam esse tema. A moda é fazer passeio no zoológico ou no parque aquático.

Mas a mudança começa por nós mesmos. Conheça o arquivo, biblioteca, museu da sua cidade, leve seus pais, filhos, amigos, a vizinha. Vamos começar uma corrente cultural e mudar a realidade em que vivemos.

Mais Educação Patrimonial, por favor.

Referências:

MACHADO, Maria Beatriz Pinheiro. Educação Patrimonial: Orientações para professores do ensino fundamental e médio. Caxias do Sul: Maneco Livraria & Ed., 2004.

LEITE. Karine Martins. Educação patrimonial no contexto dos documentos arquivísticos. Trabalho de conclusão de graduação. 2015. Disponível em:

http://hdl.handle.net/10183/135025

3 comentários

  1. Oi Kah! Gostei muito da matéria. Quase não vejo ninguém falar sobre isso, é verdade. As pessoas preferem aprender mais sobre a cultura estrangeira do que a própria e isso é bem triste. Porém, não posso negar que ao longo do tempo, acabei perdendo o interesse por esse tipo de coisa também, infelizmente. Quando eu era mais nova, eu adorava.

    Marianaviglio.blogspot.com

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Mariana, fico feliz que tenha gostado! Concordo contigo, parece que nem sempre o pessoal está interessado na própria cultura.
      Eu também às vezes acabo deixando algumas coisas de lado, a vida é assim mesmo né?! A gente vai perdendo o interesse por algumas coisas e se interessando por outras.
      Obrigada pela visita! Volte sempre!

      Curtir

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