Relacionamentos
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Peguei o trem, mas desci na estação errada: uma crônica sobre finais de relacionamentos.

Já se arrependeu das suas decisões ou sentiu que perdeu tempo em algum relacionamento?
Tudo é aprendizado, não vale a pena se torturar pelos acontecimentos passados. Uma crônica sobre relacionamentos e seus finais. e como podemos reagir de um modo mais saudável ao término de uma relação.

Ah o amor… Combustível mais motivante do trem da vida. Custa tanto, mas vale cada centavo, vem sempre com um aprendizado, se nos permitirmos refletir sobre a experiência.

Quando o amor vira cilada deixa de ser amor. É como entrar num trem querendo ir para um lugar e por “distração”, ou por não entender o que o condutor falou (tão difícil entender às vezes) descer na estação errada. Um misto de culpa, autoflagelo, medo, tristeza, decepção, e sensação de ter perdido de tempo. A gente se apega nisso, mas esquece de lembrar do melhor pão de queijo que já comeu, daquela tia que vende naquela estação, esquece da senhorinha simpática que deu informação e foi nos mostrar onde era o banheiro, esquece que é só pegar outro trem para ir para onde precisamos.

Essa metáfora me lembra de uma situação que passei recentemente (na verdade isso acontece de vez em quando), estava tentando atravessar a rua, mas o sinal estava vermelho para pedestres, e então o ônibus que eu precisava pegar passou do outro lado da rua. Que misto de impotência e frustração, eu não podia me atirar na frente dos carros para tentar chegar a tempo, eu simplesmente fiquei olhando o ônibus parar na parada, pegar os passageiros e ir embora. Avaliei mentalmente quanto tempo esperaria pelo próximo.
Já reparou que quando um relacionamento termina a gente até fica com preguiça quando pensa que vai ter que conhecer alguém de novo, começar a sair, todos aqueles joguinhos que suas amigas vão dizer para você fazer, noites esperando a pessoa ligar, enfim, mil e uma sensações e “tarefas” para construir uma nova relação? É complicado, já ouvi histórias de términos de relacionamentos em que era visível que as pessoas nem gostavam mais uma da outra, porém sucumbiram a ficar no relacionamento apenas pela comodidade, pela preguiça de ter que começar tudo de novo, até que um dos dois não aguentou a situação e deu um basta.

Então, me parece que pensamos demais no lado ruim de terminar um relacionamento, juntar os cacos e começar tudo de novo. E de repente nosso relacionamento passado se torna um mar de sofrimento e a fossa parece não ter fim. Claro, cada um lida de um jeito, mas a grande maioria passa pelo período de sofrência. Junta tudo que deu errado e passa o dia, o mês, o ano se martirizando pela suposta “má sorte” no amor.

O péssimo hábito de nos apegarmos no lado ruim das coisas/pessoas passadas nos faz esquecer o lado bom, que por menor que seja EXISTE. Pode ser que no início com toda a mágoa que pode estar nos rodeando, o medo do desconhecido e dos recomeços da vida, a gente não consiga perceber o que é que aquilo nos trouxe de bom, mas com o tempo (sábio tempo) será necessário nos recompormos e tentar tirar algo de bom de tudo para amenizar as partes ruins, para acalentar e confortar o coração. Lembre-se das boas lembranças e agradeça pelas oportunidades que a vida colocou em seu caminho. Esqueça os maus sentimentos, não vale a pena remoer o passado, sentimentos ruins não merecem nosso consumo e tempo despendido.

E muito importante, não caia na asneira de ficar se culpando pelo que deu errado, ou de ficar culpando a pessoa, ficar pensando que as coisas poderiam ser diferentes. Voltando á situação de perder o ônibus ou descer na estação errada do trem: de que adianta reclamar ou ficar afirmando que se você tivesse ao menos saído 2 minutos mais cedo não teria perdido o ônibus? Ou se não estivesse tão cansado não teria dormido no trem e acordado depois da sua estação? Gente, de que adianta (fazendo uso de uma das frases clássicas do meu pai) “chorar pelo leite derramado?” Já derramou, limpa o fogão e segue o baile.

Se agora cada um tem que seguir seu próprio caminho, que se possa fazer isso sem mágoas, que sejamos capazes de recordar as coisas boas. Que não haja ódio e ressentimento, sei que no início pode parecer difícil, mas é assim que deveria ser, esses sentimento só fazem mal para nós mesmos.

Da próxima vez tudo servirá de lição. Temos por hábito nos tornarmos mais cuidadosos quando algo supostamente dá errado em nossas vidas. Isso é um mecanismo de defesa que vem de fábrica, desde crianças, quando por exemplo caímos, nos machucamos, é quase certo que tentaremos tomar mais cuidado da próxima vez, ou mesmo, deixaremos de fazer o que tentávamos, desenvolveremos alguns traumas e aprenderemos.

Algumas vezes será preciso obter ajuda para superar certos traumas, gente, psicólogos estão aí para nossa alegria e bem estar. Todo mundo deveria cuidar das suas mentes pensantes e aprender a lidar com seus monstrinhos.

Mas a reflexão que quero deixar aqui é que não devemos perder tempo nos arrependendo ou remoendo o passado. Tudo é aprendizado. Guarda o que for bom e o que for ruim você tenta esquecer. Segue a vida.

O que fica é um simples, porém eficaz, conselho: Não se apegue ao fim do trajeto! Recorde-se do passeio!

5 comentários

  1. Há alguns anos passei por essa perda… negligenciei minha vida e sofri muito… Mas superada a tristeza, hoje sou uma pessoa melhor. Adorei o texto. Continuo teu fã. Bjs.

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  2. Oi Karine.
    Quando era mais nova, antes de minha vida se cruzar com a do meu marido, fui das que se apaixonava e sofria em silêncio, só com o tempo fui amadurecendo e percebi que amar não é se entregar ao amor e sofrer. O amor tem que ser vivido e, mesmo que corra mal, importa tirar dele a aprendizagem para não voltar a sofrer.
    Gostei muito do seu texto.
    BeijinhoBom

    Curtido por 1 pessoa

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