Arquivologia, Carreira, Reflexões
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Profissões desvalorizadas = Profissionais frustrados?! Por que devemos valorizar nossas profissões?

Será que o fato de sua profissão não estar tendo o devido reconhecimento no mercado de trabalho faz de você um profissional frustrado? Por que é importante a auto valorização profissional mesmo quando o mercado de trabalho é ingrato conosco?! Vem conferir!

O mercado de trabalho exige cada vez mais profissionais capacitados e buscando sempre a qualificação contínua. Fazer faculdade já não é mais um luxo, é uma obrigação, uma necessidade, é quase o que era o ensino médio no passado: virou “o básico” de um bom currículo.

Contudo, ter um diploma não mais significa arranjar um bom emprego. Existem diversos fatores que fazem com que profissionais não consigam se inserir em suas áreas de formação. Uma delas, no meu ponto de vista, é a própria escolha do curso.

Na hora de decidir a profissão que iremos seguir: pesquisamos. Pesquisamos salários, mercado de trabalho, visão do futuro, quais áreas estão sendo demandadas, e claro, também levamos em consideração as áreas com as quais consideramos ter mais afinidade. Se você nunca gostou muito de matemática, física ou química, possivelmente não irá escolher cursar uma das graduações em engenharia. Assim como se você nunca gostou muito de ler intermináveis textos, não irá se deslumbrar por um curso como direito ou história.

Todavia, por mais que pesquisemos sobre a área escolhida, existe sempre o fator surpresa. No caso da Arquivologia, por exemplo, a expectativa, no tempo em que eu pesquisei, era de que o mercado de trabalho estava em crescimento, e que a demanda por esse profissional iria aumentar.

Sim, a demanda realmente aumentou comparando com o que era no passado. Muitos concursos públicos solicitando formação na área, entretanto, a iniciativa privada ainda mantém-se um pouco “mente fechada” para esse profissional.

E olha, nem todo mundo nessa vida quer fazer concurso público (Leia O serviço público não é para todos), e claro, não há vagas para todos, portanto, é bastante frustrante para alguns profissionais não encontrarem emprego após os duros 4 anos de graduação.

Veem-se obrigados a aceitarem um emprego como auxiliares de arquivo, assistentes de arquivo, ou mesmo arquivistas. Sim anunciam vagas de arquivistas pedindo pessoas com ensino médio apenas. Isso demonstra o desconhecimento (veja bem eu ainda estou levando em consideração que se trata de desconhecimento e não pura falta de respeito) sobre a existência da profissão dentro da iniciativa privada.

E isso não acontece só com a Arquivologia, estou dando esse exemplo por experiência própria, entretanto, profissionais da administração também se deparam com essas situações. Às vezes acabam aceitando cargos de assistente na expectativa de serem promovidos ou mesmo por necessidade de trabalhar.

Não dá para ficar esperando o emprego dos sonhos quando as faturas estão batendo na porta e sua geladeira está ficando vazia.
O que eu quero dizer é que existe um problema grave, uma crescente desvalorização de certas profissões. A arquivologia é uma delas. Não temos sindicato, não temos quem grite por nós.

Alguns profissionais se veem sem saída, pensam que nada irá mudar e decidem trocar de área. E isso é triste, trata-se de uma decisão dolorida e difícil para o profissional que tem amor por sua profissão, mas não consegue trabalhar com ela.

Essa situação acaba por gerar frustração nos que investem na educação, nos que buscam qualificarem-se cada vez mais para que possam exercer as funções com a máxima excelência.

Acredito que exista solução para isso, sempre há uma luz no fim do túnel, sou uma esperançosa arquivista.

Os profissionais arquivistas precisam se unir para fortalecerem a classe, buscar o estabelecimento de um sindicato, mostrar que estamos aqui, temos valor e temos voz para encontrar o reconhecimento merecido dessa profissão linda que exercemos (ou que não exercemos ainda, mas que conhecemos muito bem e amamos).

Cabe a cada um o esforço para tentar se encontrar, e a persistência. Mesmo sendo difícil, cabe a nós persistirmos em nossa profissão, nos dedicarmos a não deixa-la de lado ainda que não possamos estar exercendo-a no momento. Não deixar de capacitarmo-nos, atualizando-nos conforme juramento que fizemos.

No meu caso, não exerço a profissão, infelizmente, ainda não tive essa oportunidade. Já trabalhei organizando um arquivo, mas é claro que foi sendo desviada de função e não sendo contratada para isso. Todavia, busco sempre ler sobre Arquivologia, saber o que está acontecendo, atualizar-me e também ler conteúdos do tempo da faculdade para relembrar.

Meu método de conectar-me e sentir-me mais próxima à área, tendo em vista não estar exercendo diretamente, é escrever sobre o tema, é buscar levar ao conhecimento de outras pessoas as problemáticas envolvendo a área.

Por enquanto é tudo que eu tenho, porém, sinto que de alguma forma estou contribuindo.

Quando me formei inclusive fiz lembrancinhas de formatura para meus familiares e amigos que continham a essência do que é a Arquivologia (fotos abaixo). Tive essa ideia e meu querido namorado elaborou no computador e colocamos em prática. Tudo no intuito de fazer com que as pessoas conhecessem mais a profissão.

Lembrancinha

Lembrancinha de formatura – Arquivologia by Karine Leite

Então é importante essa iniciativa de levarmos ao conhecimento de outras pessoas o nosso valor.

Da próxima vez que alguém lhe perguntar o que é Arquivologia, responda com orgulho. Mostre o quanto sua profissão é importante nesse mundo. Somos os porta-vozes da classe. Temos que nos fazer sermos ouvidos.

E mesmo que sua profissão não seja a mais badalada do momento, mesmo que você esteja se sentindo desvalorizado, lembre-se do motivo que o levou a escolher essa área, lembre-se das aulas, lembre-se do porquê você ama sua profissão, ainda que pareça difícil.

A desvalorização é frustrante, mas você não precisa ser um profissional frustrado.

6 comentários

  1. Concordo com você Karine. Muitas pessoas julgam conhecer o trabalho realizado por algumas profissões, mas na verdade têm uma noção totalmente errada, acredito que isso aconteça com a de você, arquivologia.Ações como a sua são importantes para educar a sociedade, isso é importante até para o surgimento de novas oportunidades.

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    • Sim na Arquivologia isso é comum, mas acho que cabe também ao próprio profissional se encarregar de divulgar a profissão para as outras pessoas ao invés de simplesmente ficar chateado porque não conhecem, ou não valorizam seu trabalho. Somos nossos melhores porta-vozes. Muito obrigada pela visita e volte sempre 😉

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  2. Querer um sindicato não ajudará a melhorar a profissão. Com os sindicatos e regulamentacao da profissao, o que vai acontecer é que os salarios serão artificialmente elevados e só uns poucos conseguirão receber em concursos públicos. Se a iniciativa privada nao esta contratando este tipo de profissional é por que nao consegue obter lucros ou vantagens com a atuacao do mesmo. Ou tem que se reformar/remodelar o curso ou a tendencia é ficar disso para pior…

    Curtido por 1 pessoa

    • Neimar, acredito que a criação de um sindicato ajudaria a levar ao conhecimento das empresas (e dos próprios órgãos do setor público, que também abrem vagas para arquivista nos concursos exigindo apenas ensino médio) a existência do profissional, sua importância e função. Entendo seu ponto de vista e concordo, talvez o curso deva passar por uma reformulação. Entretanto, acredito que o maior problema é o desconhecimento do profissional em face ao mercado de trabalho. Obrigada pela visita, volte sempre!

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