Arquivologia, Carreira
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A Formação do Arquivista no Brasil

Microfilmagem aparelho máquina digitalização

Hoje é dia 20 de outubro, dia do arquivista! Para celebrar essa data escrevi um artigo/resenha sobre o livro “A Formação do Arquivista no Brasil” dos grandes José Maria Jardim e Maria Odila Fonseca. Vem conferir!

Inicio esse texto parabenizando todos os colegas de profissão e estudantes de Arquivologia, sei que nem sempre é fácil exercer nosso papel de modo adequado no país em que vivemos, entretanto é importante acreditarmos no futuro da profissão, acreditarmos em nós mesmos e em melhores condições de trabalho, assim como em mais oportunidades.

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Escolhi falar sobre o livro “A Formação do Arquivista no Brasil” porque foi o primeiro livro inteiro sobre Arquivologia que li, na minha primeira semana da graduação, e, apesar de ser um livro escrito em 1999, sua abordagem e problemática permanece em muitos aspectos a mesma no atual momento do país. Farei uma breve síntese dos 10 capítulos do livro.

O primeiro capítulo do livro nos traz uma breve história da evolução da Arquivologia através dos séculos. Antes do século XIX, ela era vista como uma ciência empírica, e a organização dos arquivos era feita para fins administrativos. Durante o século XIX passou a ser vista como uma ciência auxiliar da história e a partir do século XX como uma ciência auxiliar da administração. Assim, a Arquivologia evoluiu e passou a ser vista como uma ciência da informação.

No segundo e terceiro capítulos, os autores analisam o surgimento e o currículo dos cursos de Arquivologia no Brasil, trazendo também uma crítica á formação.

Em 1972, o Conselho Federal de Educação (atualmente Conselho Nacional de Educação) havia autorizado a criação de cursos de Arquivologia em nível superior. O currículo mínimo foi aprovado em 1974, contendo disciplinas como História, Estatística, Contabilidade, Documentação, Paleografia e Diplomática, Comunicação, Notariado, Arquivo I-IV e uma língua estrangeira moderna. Nos anos 90 foi aprovada no Brasil a Lei 8.159/91, a qual dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados.

Os autores criticam a formação do arquivista, pois, julgam ser muito voltada ao físico, sendo o arquivista muitas vezes visto como um “organizador, guardador de papéis”, acreditam que a formação deveria ser voltada à prática científica e intelectual, pois o arquivista é um administrador do ciclo vital da informação arquivística.

Em tempo, fala-se sobre a escassez de cursos de pós-graduação na área e também da carência de literatura arquivística em língua portuguesa.

Sob meu ponto de vista essa realidade permanece, infelizmente. Durante minha graduação (2012-2016), havia pouquíssimos autores brasileiros, e carência de traduções da literatura estrangeira, acabávamos lendo muitos textos em espanhol e alguns em inglês quando não encontrávamos traduzidos. Sobre a questão da formação intelectual, acho que ainda pode melhorar, entretanto, nesse ponto, acredito que na minha experiência, o currículo da UFRGS foca mais no intelectual do que no físico. Tive a sorte de encontrar professores que nos faziam questionar de verdade e realizar o trabalho de modo intelectual contribuindo de modo produtivo para nossa formação.

Os capítulos quatro e cinco trazem considerações sobre o arquivista e alguns conceitos sobre Arquivologia e Arquivística, bem como a questão da interdisciplinaridade.

O arquivista é um produtor de conhecimento, um sujeito que intervém nos arquivos sob uma dada ordem teórica que é a Arquivologia.

JARDIM; FONSECA. 1999.

Ainda se fala sobre a necessidade de consolidação do campo da Arquivologia, não somente em âmbito nacional, mas também no internacional.

O trabalho arquivístico implica pesquisa; uma abordagem investigativa para tratar das atividades de avaliação, descrição, estudos de usuários… Essa é a diferença entre um arquivista e um “guardador de documentos”, entre gerenciar a informação e ordenar documentos.

JARDIM; FONSECA. 1999.

A Interdisciplinaridade é uma dinâmica de trocas, interação, cooperação entre as disciplinas. A Arquivologia tem algumas disciplinas consideradas essenciais em seu estudo como Administração, Direito, História, Informática, Microfilmagem, Preservação e Restauração, Paleografia e Diplomática, entre outras.

Não irei me aprofundar nos capítulos seis e sete, pois eles falam sobre o perfil dos alunos dos cursos de Arquivologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da Uni-Rio.

O capítulo oito nos traz o papel do estágio para a formação profissional do arquivista. Inicia falando que a prática é fundamento da teoria, é a fonte de desenvolvimento da teoria. A Teoria das Três Idades foi elaborada a partir de problemas práticos.

O ensino arquivístico não pode privilegiar nenhum desses dois aspectos, teoria e prática, deve encontrar a vinculação de ambos.

Ainda, é ressaltada a necessidade de se existir laboratórios para aulas práticas nas universidades. Confesso que senti falta disso durante minha formação, existia um projeto para esse laboratório ser feito dentro da escola técnica no campus da FABICO (Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação) da UFRGS, porém, não tive a sorte de ver a concretização.

Os capítulos nove e dez enfocam novamente sobre a carência de literatura arquivística e de materiais produzidos por autores brasileiros, trabalhos de pesquisa. Ainda fala sobre a situação precária das bibliotecas universitárias na área dos arquivos.

Certamente essa situação já deu uma avançada desde 1999, e felizmente já contamos com um pouco mais de produção científica no Brasil. Porém, é necessário fazermos mais, produzirmos mais conhecimento, discutirmos mais os rumos da profissão, debater cientificamente os assuntos que nos condizem. Sabemos qual é o nosso papel, e por isso cabe a nós fazer com que os outros também saibam.

Então, espero que tenham apreciado essa pequena contribuição e homenagem ao Dia do Arquivista.

Nós como profissionais arquivistas temos que demonstrar nosso valor perante a sociedade, fazer valer nossos diplomas, contribuir para o desenvolvimento da área. Sabemos dos desafios e das deficiências de nossa profissão, mas não podemos nos deixar abater, temos que lutar e fazer a diferença. Que a desvalorização profissional nunca nos faça desistir do ofício que amamos.

E eu amo a Arquivologia, ah como eu amo.

Referências:

JARDIM, José Maria; FONSECA, Maria Odila Kahl. A Formação do Arquivista no Brasil. Rio de Janeiro: UFF, 1999.

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